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viernes, 9 de junio de 2017

Carta pra um amigo


Caro amigo:

Não sei qual será a tua situação, mais, enquanto a minha, entendo que doe saber assim de improviso que o tido por certo perante toda uma vida, não o é; e mais ainda, quando comprovamos que nos tem mentido em nossa mesma cara e com o melhor sorriso. Quando se tem gastado tanto tempo de leituras de pensadores tidos por grandes, que pareciam penetrar efetivamente aquilos cantos do conhecimento que as maiorias desconhecem, ou que, simplesmente, não tem interesse neles; para comprovar, já quase ao fim da nossa agonia que como um castelo de cartas de baralha, algo desaba ante um suave sopro, que muitas das vezes nem sequer estamos dispostos a reconhecer. Com raiba pensamos: Quanto desperdiço!
Há alguns, quê tendo ao seu alcance o saber necessário tem jogando ele no lixo ou no esquecimento, baixo o pretexto de que os sábios deste mundo tem mais nata para saborear e engolir do que aquele velho e poeirento libro cujo Autor paira, lá encima, as vezes Amoroso e outras Ameaçador, mais, ainda que poda aparecer contraditório, extraordinariamente misericordioso e justo. Outros tem limitado dito saber, para recolher só migalhas que nos fornece um catecismo tendencioso: as leituras obrigadas e habilmente direccionadas para nos centrar no imediato, no aquí e agora, as homilias prosaicas, mais altamente contingênciais, que nos fazem acreditar que todo depende de como encaminhamos as nossas obras para chegar na meta e não deixar ao azar um destino indesejado.
Que tragédia, que grande fiasco descobrir que estamos como ao começo, o te tinhamos crido como pegado foi-se por entre os dedos e, cansados de folhear a folosofia deste mundo, estamos com o vácuo interior ainda intacto. Mais, temos ainda esperança: “Morro porque não morro” nos lembra a Freira de Ávila com seu deus prisioneiro. Nada novo baixo o sol, já o apóstolo dos gentíos o tinha dito ainda que com outras palavras, porém mais profundo: “já não vivo eu, mais vive Cristo em mim”. É assim que começa uma nova vida que vai más além dos limites da morte, mais que, curiosamente, alguns que tem se pendurado o cartel de sabios e entendidos nos falam que tudo acaba ali. Por quê sera então que em todas as sociedades, ainda nas mas primitivas, existe a crença de que há algo mais além do fim da existência terrenal? A explicação nos foi dita lá atrás, pelo Predicador: 3:11 “Tudo o fez formoso no seu tempo; e puz eternidade no coração deles, sem que o homem chegue a compreender a obra que tem feito Deus desde seu começo até seu fim”
A vida segue e nosso agonico caminhar vai nos desgastando a carne, mais o espírito mantem-se incólume. Olhamos como o conhecimento se incrementa, mais comprovamos dia após dia que longe de evoluir em consciência, o homem segue igual que pretéritas idades, ainda pior, crescem suas mesquinhas atitudes, seus odeios, suas intenções fratricidas. Sim pareciera que quer se chacoalhar de todas suas ataduras para obter sua liberdade. Embora constatamos com tristeza que só quer se livrar para logo virar escravo no hedonismo alienante de uma vida cheia de prazeres banais, onde o próximo deixa de enxergarse como um igual para se converter num simples objeto que pode se usar como quiser em suas bacanais desprovidas de limites. E ali vem o paradoxo: quanto más “livre” crê estar, tanto más atropela a iberdade dos “outros”, seus iguais, seus vizinhos. Isto faz que as maiorias pisoteadas peçam aos brados as soluções que gerem paz, ordem, seguridade. Chegando cá, estão prontas para sacrificar aquilo tão apreciado e que custou tão grandes lutas, sua liberdade,  em troca de tais bens imateriais tão esquivos.
Não hã, pelo mesmo, evolução como entendia Teilhard de Chardin, como um ascenso na consciência até algum dia chegar a ter aquela consciência superior, esse “ponto omega” onde os egos individuais desaparecem para constituir a unidade… o alma das almas.
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Meu caro, lembro-te o que com certeza ja sabes, há alguém que falou: “Eu sou o alfa e a omega, o principio e o fim”. Esse Alguém é digno de toda confiança, tanto que, pagou o preço da nossa paz, essa paz verdadeira que o homem só pode achar quando reencontra-se com seu Criador, se reconcilia com Ele e é justificado ante Ele. Não pelas nossas boas obras as que perante Deus são como panos de imundice, senão porque Ele deu seu Filho Amado para nos livrar da sentencia que nos condenava á morte, sofrendo Él as feridas e o castigo que nós merecíamos, para assim nos dar a passagem para a vida abundante.
É preciso pois voltar para a humildade, simplicidade, como aquela que mostram as crianças. Lembo ensinanças de vida recebidas da minha filha mais nova quando começava, nos seus primeiros anos, fazer uso da sua capacidade de raciocinar : Ela corrigia quando eu informava em casa que lá fora esta nevando (no espanhol: nieve). “Papai, não se dis nevando, se deve dizer nievando; não viu que a palabra é “nieve”?” É essa lógica, simples, inocente, profundamente sincera a que deveríamos cultivar para penetrar nos mistérios da nossa existência neste universo que, se levantamos nossa mirada, nos sorprende e deixa maravilhados até ficar estupefatos. Simplicidade e humildade, como os Trapenses de Duenhas, cuja hospitalidade, sem luxo nenhum, pareceria rústica, mais é na realidade profundamente caprichada, ou melhor, divinamente inspirada ao enxergar no próximo sedento de paz espiritual, aquele Rei que falou: Mateo 25:40 “E respondendo o Rei lhes dirá: Em verdade vos digo que por quanto o fizeste para estes meus irmãos más pequenos, para mim o fizeste.

Sei que você tem em mente que o Supremo Criador resiste os soberbos e da graça para os humildes. E que melhor graça que ser elevado para a condição de filhos do Altíssimo. Fica assim restabelecida a comunhão perdida por escutar e acreditar na Serpente Antiga, começando lá, no jardim das delicias. Isso sim, por médio da fé naquele que deu a sua vida para pagar o resgate dos que, pelas nossas transgressões, estavamos condenados á morte eterna. Comum-união que começa cá, com um simples e profundo ato de fé e nossos pecados passados, atuais e futuros, são deletados. Como diz Hebreus 8:12 “ porque serei propício a suas injustiças e nunca más me lembrarei de suas iniqüidades”.
 Não precisamos esperar para evoluir ate chegar nessa Conciencia Suprena. A perfeita comunhão com quem é O Alfa e a Omega, está garantida para aqueles que tem aceitado essa graça.
Que meu Deus e Salvador possa te abençoar para que estes entre os poucos por Ele escolhidos.

Recebe um grande e forte abraço de,

Teu irmao em Cristo.

domingo, 29 de enero de 2017

Historias urbanas

El guardián



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Ud. comprenderá que prefiero ser fiel a los valores en los que me formaron mis padres. Les digo como hablando conmigo mismo... para qué vamos a estropear las excelentes relaciones que hasta ahora hemos construido por estos largos 20 años.  Por lo demás, la renuncia no es con “marcha atrás”, quiero ir hacia adelante al encuentro con mis circunstancias...

Hace casi dos años de aquel suceso y aún sigue nítido en mi mente. Sabía que las cosas se me iban a poner cuesta arriba pero, iluso de mí, creí que contar con un título universitario sería garantía para hallar empleo. Lo cierto es que aquí estoy, instalado en un cuarto de una modesta casa en un barrio periférico de Rancagua. Los dueños, una humilde familia de campesinos ahora transformados en extraños citadinos. Digo extraños, porque a pesar de los años que llevan instalados aquí, aún  sueñan con los tiempos vividos en el campo y mantienen su minifundio y la vetusta casa allá,  por los alrededores de San Carlos.

La casa, del tipo popular,  es parte de una gran construcción que ocupa toda la cuadra, la cual ha sido dividida en varios sitios donde albergan a familias de obreros de la construcción, mineros de la cercana mina de cobre “El Teniente”, comerciantes ambulantes, etc.  El barrio es de temer, comienza al norte de la intersección de las calles Victoria con República. Ya entrando, llama la atención las altas rejas de hierro que protegen las entradas de los modestos departamentos de tres pisos. Rejas se multiplican por doquier. Todo almacenero se refugia con sus mercancías tras gruesos barrotes. Parece un gran recinto carcelario con reos voluntarios que atienden a los “honestos ciudadanos” que circulan en libertad por las avenidas, abriendo una pequeña ventanilla.

El cuarto que arrendé está al fondo de dicha casa  ubicada en el pasaje 2, justo tras los bloques de departamentos que dan a la avenida principal. Éstos, se muestran desgañitados, de colores indefinidos y llenos de cordeles con ropas multicolores secándose pendidas al sol veraniego hacia la calle. En la parte posterior de los mismos, una alta valla, ora de metal, ora de panderetas de concreto encierran el reducido patio trasero. Alguna que otra puerta con grandes candados y perros famélicos y soñolientos dormitan a la sombra del muro echados aquí y allá.  

Casi frente a la casa donde moro, hay  un portón en la parte trasera de una vivienda que da a la avenida República y junto a él, un fiel guardián de color negro, raza indefinida, orejas lacias y colgantes, ojos legañosos y con grandes pelones originados por la sarna caballuna y el ejército de garrapatas que le sugan lo que queda de su antigua vitalidad: dormita frente a su caseta mugrosa y maloliente. Sueño fugaz, interrumpido por espasmos  dolorosos que le obligan a rascarse los pelones con las garras de las patas traseras, o bien volteando la cabeza para alcanzar con los dientes aquellos lugares donde sus patas no llegan. La vida pasa lentamente...

La casa es de madera, techo de placas de acero zincado. Originalmente era reducida, con un baño ubicado contiguo a la puerta de entrada y donde para darse vuelta hay que cuidar de no volcar los objetos de aseo ubicados sobre el lavamanos. Este es pequeño, montado sobre un soporte de metal mal fijado a la pared, por lo que es imposible afirmarse en él, ya que amenaza con caerse tras grandes sacudidas y temblorosos meneos  si ello ocurre. La ducha, ubicada sobre una esquina, es un cuadrado de 70*70 centímetros arrancado al cuarto contiguo. El inodoro de loza celeste carece de tapa por lo que hay que sentarse directamente sobre su fría superficie. Cada vez que entro, está con restos de orina que hiede sus pestilentes ácidos sulfurosos. Quiero pensar que no es por falta de higiene, sino para ahorrar en el consumo de agua. Sin embargo, me es imposible orinar allí sin antes dar la descarga para liberarme de sus fétidos hedores. Sigue luego una gran sala en lo que era originalmente toda la casa. Hace las veces de living-comedor donde hay una mesa con algunas sillas, seguida de un gran sofá de cuerina que parece el asiento trasero de un microbús. Por los costados dos sillones de schintz  estampado, sebiento, cuyo diseño ahora es casi indefinible  por las grasas acumuladas que lo hacen brillar a la luz mortecina que entra por la única ventana de escasas dimensiones que da al pasaje. Frente al sofá, un televisor conectado a un lector de DVD. Para encenderlo hay que darse maña moviéndolo o dándole palmoteos para conseguir que la pantalla se ilumine con imágenes ya que el botón de encendido está estropeado.

Es allí, donde pasa la mayor parte del tiempo mi hospedero. Un viejo setentón, magro, de pelo corto, hirsuto y semicano. De tez morena, mirada huidiza y escasa dentadura, tanto que el labio superior se muestra hendido por la carencia de incisivos superiores. Es don José Manuel, un viejo campesino jubilado asistencial, originario de los alrededores de la sureña ciudad de San Carlos. Es un hombre bueno como el pan, sin rasgos de malicia en su mente. Componen su familia su esposa, quien sufre depresión  razón por la cual pasa largos periodos en su antigua casa de campo ya que allí puede controlar su enfermedad  en forma más expedita y de paso se libra en parte de la penumbra sempiterna de las habitaciones en que se desenvuelve su vida cada vez que está acá, con su marido. Por ello, solo queda junto al viejo su hija menor de casi 18 años. Una jovencita hermosa: Ismenia, de rostro pequeño, pelo castaño liso y tez blanca. que está por terminar sus estudios de enseñanza media.

Dejo el cuarto temprano cada día, con la esperanza de dar con un empleo que me permita subsistir, el dinero se me acaba, y no quiero tener que llegar a casa de algún  pariente para que me albergue mientras consigo algo… pero hasta ahora nada.  es frustrante pensar que cuando se llega a los cincuenta, nadie quiera darte la oportunidad de trabajar, de demostrar que quienes llegamos a esa edad somos tanto o más eficientes que cualquier jovencito que recién comienza… pero claro, el empleador quiere pagar poco y no tener que encontrarse con un empleado que tiene sus mañas,  que sabe de sus derechos, que no resulta tan dócil como para conseguir que haga lo que quiere y como lo quiere, aunque para ello haya que trasgredir la moralidad o las leyes como me aconteció con las exigencias que me obligaran a tomar la decisión de renunciar. Y está también el incentivo del gobierno, si mi propio gobierno, por quien dejé los zapatos en las calles para conseguir votos para que resultara electo: el subsidio a la contratación de jóvenes. Si seré quemado…

Regreso cansado, ya pasadas las tres de la tarde, con retortijones de tripas vacías reclamando algún engaño. Una vez, al entrar al callejón,  me llamó la atención que  el viejo guardián estaba siendo alimentado por un mocetón de pelo motiento por falta de peine y agua, quien también le sobaba el lomo sin importarle los pelones ni las garrapatas, como si fuera su más querida mascota. Pasé frente a ellos y el tipo no me dio la cara. El perro por su parte agradecía sumiso engullendo con deleite los pedazos de pan que el rastafari  le prodigaba acuclillado junto a su caseta.

Al día siguiente, comienzo nuevamente mi rutina de aplanador de calles.  Al pasar por el lado opuesto al pasaje 2, la avenida República muestra sus matices; varios boliches abren las ventanillas de sus celdas para atender al público, con excepción de una humilde frutería y un local de internet que no disponen de rejas. También destaca una casa bastante más arreglada que sus vecinas, Pintada de blanco, con ventanas de vidrios ahumados y una alta reja en su antejardín con afiladas puntas que parecen  desgarrar las manos con solo mirarlas, mantienen a raya cualquier intento de los muchos ladronzuelos de profesión que pululan por el barrio. Después de alejarme un poco del lugar, en mi caminar cabizbajo hacia el centro de la ciudad, asocié que por el lado de atrás, justo  frente al portón donde monta guardia el quiltro carachento, el blanco también  destaca hacia el fondo  por encima del alto muro y se repiten las ventanas  de vidrios espejados y oscuros. El portón corresponde a la entrada posterior de la misma casa y el perro es mantenido allí por sus dueños.

Después de vagar en busca de avisos de contratación de personal, y enviar mi currículum por correo electrónico a diversas empresas, regreso por la tarde, algo más leve,  al cuarto donde  vivo. Cruzo algunas palabras con Don José Manuel, quien a veces me recomienda tal o cual empresa, entre ellas ir a El Teniente, para enrolarme en la mina, o bien visitar a algún conocido para que me de una mano. También me aconseja evitar las salidas cuando oscurece, pues en la esquina de la calle subyacente  se reúnen drogadictos y delincuentes para fumarse unos pitos  o asaltar a los desprevenidos visitantes  que osen incursionar en el barrio. En efecto, allí había visto al mismo rasta que alimentara al doliente can, acostado sobre el pasto fumando, con las pupilas dilatadas y expeliendo volutas de humo apenas visible y contemplando estático alguna que otra pequeña nubecilla extraviada en el verano.

Los días corren rápido cuando escasea el pan y el dinero se esfuma en los bolsillos, Con el cuerpo más liviano no sólo por la ausencia de monedas sino por ayunos forzados, ya casi me doy   por vencido,  Fue justo al regresar una tarde después de otro día incierto, cuando estaba por llegar al barrio que escuché un par de tiros. Al doblar la esquina para entrar al callejón algunos curiosos se aproximan con cautela. Un mocetón de unos 35 años con una barriga que excede por encima del cinturón de cuero y abre su camisa a rayas celeste y blancas  dejando a la vista un vientre velludo y blancuzco,gesticula con sus manos y maldice con palabrotas de grueso calibre el cuerpo ya inmóvil del guardián del Pasaje dos. - Quiltro hijo de la gran puta… te tenía aquí para que no entraran ladrones.,,

Con discreción entro en la casa  de Don José Manuel no sin antes mirar de reojo como el hombrón agarraba el cuerpo del perro por las patas traseras y lo metía no sin alguna dificultad en un saco regando el aire con garabatos, maldiciones y gotas de sangre canina.

Intrigado pregunto a mi hospedero que desde un canto de la ventana aún mira hacia el portón de enfrente sonriendo con ironía.

     -¿Qué fue lo que pasó don José?
Sonriendo aún me dice socarrón:
  • El malandrín de enfrente parece que tuvo su merecido.
  • ¿El perro?
  • No, mi amigo, el guatón ese. El perro al fin descansó de su calvario, era una pena como lo tenia ese rufián, Nunca se preocupó por la plaga de garrapatas y la sarna que lo estaban matando, le daba comida tarde mal y nunca, si no es por los vecinos, habría muerto de hambre hace tiempo.
  • ¿Pero cómo, lo mató a tiros?
  • No lo vi realmente, cuando miré por la ventana  el perro estaba en las últimas sacudidas  y estiró la pata más rápido de lo que canta un gallo. Pero sí, fue él quien le disparó, no cabe duda.
  • Ese tipo estaba realmente exaltado.
Comento para estimular la lengua ácida de don José.
  • Y era que no. Ese tipejo es un traficante, es quien le vende pasta base y marihuana a los muchachos del barrio, todos por estos lados le tienen miedo. Pero esta vez se fue por ojo... (*)
  • ¿Por qué? pregunto curioso.
  • Usted sabe que no tengo mucho que hacer, salvo ver televisión y mirar por la ventana...
Hoy estaba en eso cuando vi a un muchacho de trenzas, ese que suele estar en la esquina. -me señala el lugar apuntando con el índice- Llegó con naturalidad al portón  le hizo cariños al perro y después abrió el candado y entró “como Pedro por su casa”,(**) Pensé que estaba realizando algún pololo para el malandrín de enfrente. Estuvo dentro menos de media hora y luego salió con un paquete entre sus manos, cerró el portón aunque sin poner el candado y se fue tranquilamente. A esta hora debe estar muy lejos de aquí.
  • Entonces ¿Robó algo a su vecino?
  • Seguro. Se debe haber llevado  una provisión de droga para un año o más.
  • Con razón el tipo estaba echando chispas por los ojos, seguramente le sacó la película y cachó (***) que la casa estaba sola. Encierro la conversación como pensando en voz alta.

Me fui a dormir temprano aquel día, al siguiente perdería mi billetera con mis últimos pesos y todos mis documentos. No tuve otra alternativa que irme a vivir con unos familiares para seguir mi lucha por un empleo digno.





Mariscal, 23 de abril de 2015.-              D. João Ninguém.-


(*) Irse por ojo: expresión popular que significa salir chasqueado, o bien, tener un resultado    inesperado.
(**)  “Como Pedro por su casa”, frase usada en Chile para indicar  naturalidad o ausencia de dificultades.
(***) Cachar: en jerga popular mirar, ver, darse cuenta.

sábado, 18 de junio de 2016

Carta para un amigo

Bombinhas, 18 de junio de 2016.-

Estimado:


No se cual será tu caso, pero en lo que a mi respecta, entiendo que es doloroso saber de repente que lo que se tiene por cierto durante toda una vida, no lo es, y más aún, cuando comprobamos que nos han mentido en nuestra cara y con la mejor de las sonrisas. Cuando se ha gastado tanto tiempo de lecturas de sesudos pensadores, que parecían efectivamente penetrar aquellos rincones del conocimiento que las grandes mayorías ignoran, o que simplemente poco les interesa saber; para constatar, ya casi al fin de nuestra agonía, que como un castillo de naipes algo se desmorona ante un tenue soplo, que muchas veces ni siquiera estamos dispuestos a reconocer. Con rabia pensamos ¡Cuánto desperdicio!.

Ha quienes, teniendo al alcance el saber necesario, terminan despreciándolo y relegándolo al olvido, bajo el pretexto de que los sabios de este mundo tienen más enjundia para saborear y digerir que aquel empolvado libro cuyo Autor se cierne, allá arriba, unas veces amoroso y otras amenazante, pero aunque nos parezca contradictorio, extraordinariamente misericordioso y justo a la vez. Otros han limitado dicho saber para recoger solo aquellas migajas que nos reparte un catecismo tendencioso, las lecturas obligadas y hábilmente direccionadas para centrarnos en el aquí y el ahora, y las homilías prosaicas, pero altamente contingenciales, que nos hacen creer que todo depende de como enrielemos nuestras obras para alcanzar la meta y no dejar al albur un destino indeseado.

Que tragedia, que gran chasco descubrir que estamos como al inicio, lo que creíamos haber atrapado se nos fue por entre los dedos y que, cansados de hojear la filosofía de este mundo, estamos con el vacío interior aún intacto. Pero hay esperanza: “Muero porque no muero” nos recuerda la monja de Ávila con su dios prisionero. Nada nuevo bajo el sol, ya el apóstol de los gentiles lo había dicho con otras palabras y aún más profundo: “ya no vivo yo, mas vive Cristo en mí”. Es así como comienza una novedad de vida que trasciende los límites de la muerte, pero curiosamente, algunos que se han colocado el cartel de sabios y entendidos nos dicen que todo acaba allí. ¿Por qué será que en todas las sociedades, aún en las más primitivas existe la creencia de que hay algo más allá del fin de la existencia terrenal? La explicación fue dicha hace mucho tiempo por El Predicador: 3:11 “Todo lo hizo hermoso en su tiempo; y ha puesto eternidad en el corazón de ellos, sin que alcance el hombre a entender la obra que ha hecho Dios desde el principio hasta el fin.”

Pero la vida continúa y el agónico caminar nos va desgastando la carne, pero el espíritu se mantiene incólume. Vemos cómo el conocimiento se incrementa pero comprobamos día a día qué lejos de evolucionar en Conciencia, el hombre continúa igual a pretéritas eras, es más, crecen sus mezquindades, sus odios, sus intenciones fratricidas. Si, pareciera que quiere sacudirse de todas sus ataduras para alcanzar su libertad. Más tristemente comprobamos que sólo quiere liberarse para luego caer esclavo en el hedonismo alienante de una vida pletórica de placeres banales, donde el prójimo deja de verse como un igual y suele convertirse en un mero objeto que puede usar a su antojo para seguir en sus bacanales exentas de límites. Y allí viene aparejada la paradoja; cuanto más “libre” se siente, tanto más agrede la libertad de los “otros” sus iguales, sus vecinos. Ello hace que las mayorías pisoteadas clamen por soluciones que generen paz, orden, seguridad. Llegado a ese punto, están dispuestos a sacrificar aquello que tanto aprecian y que costó tantas luchas, su libertad, a cambio de tales bienes inmateriales tan esquivos.

No hay, por tanto, evolución como entendía Teilhard de Chardin, como un ascenso en la conciencia hasta algún día alcanzar esa Conciencia superior, ese supuesto punto omega, donde los egos individuales se evaden para permitir la unidad… el Alma de las Almas.

Estimado, te recuerdo lo que con certeza ya sabes, hay alguien que dijo: “Yo soy el alfa y la omega, el principio y el fin”. Ese Alguien es digno de plena confianza, tanto que, pagó el precio de nuestra paz, esa paz verdadera que el hombre sólo puede hallar cuando se reencuentra con su Creador, se reconcilia con Él y es justificado ante Él, no por nuestras buenas obras, que ante Dios son como trapos de inmundicia, sino porque Él se dio así mismo para librarnos del decreto que nos condenaba a muerte, sufriendo Él las heridas y el castigo que merecíamos para darnos acceso a la vida abundante.

Es necesario pues volver a la humilde simplicidad como aquella que exhiben los niños. Recuerdo lecciones de vida recibidas de mi hija menor cuando comenzaba en sus primeros años (tres o cuatro) a hacer uso de su capacidad de razonar: ella me corregía cuando yo informaba en casa de que afuera “estaba nevando”. Me dijo: “papá, no se dice nevando, se dice ‘nievando', ¿no ves que la palabra es nieve?. Es esa lógica simple, inocente, profundamente sincera, la que deberíamos cultivar para penetrar los misterios de nuestra existencia en este universo que, si levantamos nuestra mirada, nos sorprende y maravilla hasta quedar alelados, estupefactos. Simpleza y humildad como los trapenses de Dueñas cuya hospitalidad exenta de todo lujo, pareciera rústica, pero que es en realidad profundamente dedicada o mejor divinamente inspirada al ver en el prójimo sediento de paz espiritual, a aquél Rey que dijo: “Mateo 25:40 Y respondiendo el Rey, les dirá: De cierto os digo que en cuanto lo hicisteis a uno de estos mis hermanos más pequeños, a mí lo hicisteis”.

Se que tienes siempre en mente que el Supremo Creador resiste a los soberbios y da gracia a los humildes. Y qué mejor gracia que ser elevados a la condición de hijos del Altísimo. Queda pues así restablecida la comunión perdida por prestar oídos a la Serpiente Antigua, comenzando allá, en el jardín de las delicias. Ello por medio de la fe en Aquél que dio su vida por el rescate de quienes, por causa de nuestras transgresiones, estábamos condenados a la muerte eterna. Común-unión que comienza aquí con un simple pero profundo y sincero acto de fe y nuestros pecados pasados, presentes y futuros son borrados, de tal modo que nos dice en Hebreos 8:12 Porque seré propicio a sus injusticias, Y nunca más me acordaré de sus pecados y de sus iniquidades

No precisamos esperar por una supuesta evolución hasta ascender a esa Conciencia Suprema. La perfecta comunión con quien es El Alfa y la Omega está garantida para aquellos que han aceptado esa gracia.

Que mi Dios y Salvador pueda bendecirte para que estés entre los pocos a quienes ha escogido.

Recibe un grande y fuerte abrazo de,



Tu hermano en Cristo.




miércoles, 11 de noviembre de 2015

Un largo invierno



Hay mal tiempo en Bombinhas,
Cielos nublados en Bombinhas
este invierno ha sido el primero que ha durado más allá de sus límites fijados. Estamos en la mitad de la primavera y lo nublado y lluvioso se ha extendido por varios meses. Estaba acostumbrado a 15 días de invierno en Sumaré y a lo sumo a un mes en Bombinhas, aun cuando la temperatura es aceptable (18 a 23 grados en promedio), esta vez, ha sido distinto, Efectos del díscolo Niño dicen. Lo cierto es que los días grises y con mucha niebla hacen añorar el azul del cielo, que no veo hace tanto tiempo que cuando aparece un minúsculo pedazo de cielo azul me devuelve la certeza de que aún está allí arriba, y algo más lejos, el sol. Pero siguen así, y parece que para largos días más. Calles inundadas, lodazales y hoyos se multiplican por doquier, pese al esfuerzo del municipio en taparlos, ello porque Mariscal carece de sistema de evacuación de aguas lluvias (y también de alcantarillado) por lo que las fosas sépticas rebasan por la incapacidad del suelo de absorber tanta agua. Pero curiosamente hoy, apareció el cielo azul aunque con nubes difusas. Pero yo busco una nube especial...

Lo dicho me trae a la memoria esa hermosa canción de Alberto Plaza, “Cuando vendrás” en los versos cantados de una espera interminable: 

“... este invierno que no pasa,
todo se me vuelve escarcha,
lágrimas que gota a gota,
de mis ojos no se agarran,
se convierten en las notas,
que le puse a mi guitarra...”

En esta época, en Chile emergen millares de flores por doquier,
Arriba:Notro-Pilo-Ulmo-y abajo margaritas 
los notros y copihues, tiñen de rojo el paisaje; los chilcos pintan de fuxia las quebradas; arrayanes, huellas, ulmos y margaritas agregan el blanco; aromos y pilos el amarillo oro que compite con el tibio sol de noviembre. Pero el Creador no se queda allí sino que despliega toda la amplia paleta que domina en los delicados pétalos de las flores de su jardín de las delicias. Y yo estuve allí... años ha, pintando mis retinas de colores, deshojando margaritas. Me quiere, mucho, poquito, nada. Extraño modo para saber la verdad de ese amor que nos robaba el sueño. Adolescencia, bella edad de sueños y quimeras. Hoy tan lejos, con los años recorridos quizás debiéramos decir: tal vez me quiso, o quizás, soñé que me quería. Mientras iba robándole segundos a mi existencia.

domingo, 18 de octubre de 2015

Do jeito brasileiro

Sou estrangeiro em terras  brasileiras. Cá cheguei depois de largar tudo no meu longo e estreito país além dos Andes. Nos lá chamamos de gringo quase exclusivamente aos naturais dos Estados Unidos, mais aqui quando ouvi um brasileiro do Sumaré me chamar de gringo, fiquei um tanto confundido. e mesmo, cá todos os estrangeiros são gringos e, ao igual que no Chile, são em sua maioria bem vindos.


O Brasileiro e acolhedor, alegre, despreocupado e de bem com a vida, seja pobre ou seja rico, mais, tenho algumas críticas para  lhes fazer pois, junto a esas boas qualidades, existem também outras, que se bem existem em todo país, cá são mais evidentes: como a pouca responsabilidade com seus compromisos, a semvergonhice ampliamente  generalizada sobre todo entre os máis novos. No trabalho, eles querem ganhar bastante, trabalhar pouco, e conversar muito. Claro, existem outros que são  a inversa responsáveis e que fazem honor a sua palavra, com esses caras eu levo-me muito bem. Acostumado a trabalhar no horario comprometido (por conta própria)  desde que sai o sol até que se some, fico com raiva as vezes quando ao passar olho trabalhadores parados, de brazos cruzados batendo papo, por enquanto alguns deles bate a enxada ou a pá  nas obras nas estradas ou ruas.  Seus chefes  já se acostumarão de tanto ver tais condutas e nem ligam. Por outro lado a propina e a corrupção dominão todos os níveis sociais. Fiz uns bicos para um contador em Maringá, e fiquei confundido quando ele perguntou-me onde eu queria comprar os materiais? Ele estava acostumado a convenir com contratistas  que  impunham ao cliente onde teriam que comprar tais materiais, pois em ditos lugares (depósitos ou lojas), esses contratistas teriam “descontos especiais” quando na verdade eles recebião uma parte da venda diretamente como propina. Ele também ficou chocado quando eu lhe disse, Você é quem decide onde quer comprar, que tipo de materiais quer usar  e quanto quer pagar, os descontos, é poupança para você. Eu só recebo o valor pactado pelo meu serviço. Esse cara fazia-me o pago semanalmente, sem que eu  tivesse que lembrar a sua obrigação, Muitas vezes foi diretamente no meu endereço pra me entregar o pago. Embora seja uma excepção exemplar, tenho outras experiênças ruins e as vezes por esses, a gente qualifica todo um país. Desde aqueles que ficaram me devendo até hoje, passando por aqueles que na hora de fazer o pago, sumiam, até aqueles que nem se importam com  as necessidades dos seus trabalhadores e diferem o pago até quando já não podem esconder a cara (nos  casos em que conhecem a vergonha).

As coisas são assim no Brasil, hoje em crise, pois por ditas condutas geralizadas, as que na área do governo e da política, são escandalosamente perturbadoras e nefastas para os destinos da economía deste tão grande e riquísimo país. É incrível o pouco retorno que o cidadão tem dos impostos que o estado administra. Hospitais, escolas, segurança pública e muitos outros serviços da responsabilidade dos governos sejam municipais, estaduais ou federal, enfrentam a crítica da população por serias carências. O governo desesperadamente tenta arrecadar mais impostos e faz do aumento das receitas sua única tabua para salvar e superar a crise. Mais se a gente quer ser seria, ficaria  estupefacta ao saber que o atual governo tem aumentado núm 50%  a arrecadação de impostos se comparado com o último ano do governo Lula. é aínda no alcanza para cobrir a gastanza. (Ate hoje, 18-10-2015 e faltando  ainda dois e meio meses para acabar o ano, o governo arrecadou R$ 2,2 trilhões de reais, superando o arrecadado o ano passado *). Muito embora, a situação não melhorou nada nesse período, pelo contrário, o País foi afundando num buraco. O cidadão se coça a cabeça e se pergunta, cadé do dinheiro? Ninguém responde! De ali que resulta evidente que algo está muito errado, por não querer chamar o errado por seu nome: administração ineficiente.
Conjugando o verbo pagar em port. brasileiro. Imagen tomada do site:
http://forum.antinovaordemmundial.com/Topic. o-brasil-%C3%A9-o-pior-pa%C3%ADs-em-retorno-de-impostos

Senão tivesse tão grande corrupção, tão bilionarias somas dos dinheiros públicos roubados (chama-se por aí “desviados” para não afrontar os ladrões e não escandalizar os que leem), a situação atual do país e do seu povo, sería sem lugar a dúvidas uma das melhores do mundo.  Em meu comentârio “Retrospección” disse sobre a política brasileira, como ela está cheia de maus líderes, que amam mais a mentira, o engodo e o dinheiro sujo e fácil para encher o bolso, do que servir bem a seu país. Hoje vejo algo de luz  e boas noticias para o futuro brasileiro. Um juiz e um equipo de colaboradores ferrenhos e incorruptíveis estão fazendo  mudar a história, e parece ser que a impunidade tem os dias contados, políticalhos  de alta prosápia e graudos empresários, estão tremendo; uns porque as grades estão acolhendo-lhes para punir suas patifarias e outros porque parece que não poderão se enriquecer como esperavam, com cargo aos cofres públicos, ou melhor dito, metendo a mão neles. Também um tribunal encarregado de analizar as contas do governo, rechaçou por unanimidade as contas do ano 2014 do atual governo, isso da esperanzas ao país que parece tomado e dominado pelos corruptos, mostrando que ainda tem reserva moral para dar a volta por cima e dissipar as nuvens pretas que tampam o horizonte do sofrido povo brasileiro

* Ver site Diario do Poder, Columna de Cláudio Humberto del 18-10-2015.-

viernes, 31 de julio de 2015

Fuga de los cisnes


Era aún adolescente cuando una de mis profesoras en el Liceo Superior de Hombres de Nueva Imperial, quien gustaba de la música y la poesía, nos instaba a conocer nuestras raíces, Si, Nueva Imperial, tierra de poetas destacados como Pablo de Rocka, también pasaron parte de sus vidas en la Araucanía otros renombrados como Pablo Neruda, Gabriela Mistral y Augusto Winter. Este último, menos conocido pero que en mi dejó huellas cuando dicha profesora nos hacía leer esa hermosa composición llamada La Fuga de los Cisnes. Curiosamente, mi profesora, que hoy con los años, ya olvidé su nombre, impartía la asignatura de Educación Física.

Muchos años después y hace apenas 9, por esos caminos que la vida nos hace recorrer, llegué a vivir unos  meses en Puerto Domínguez, aldea a la vera del lago Budi donde vivió el poeta
Estatua del Poeta en madera ubicada en la ribera del
 Lago Budi, en Puerto Domínguez 
ejerciendo la profesión de Herrero. Aún allí muchos campesinos se movilizan a lomo de caballo y el uso de los bueyes y carretas es común llegando al villorrio para vender sus productos o comprar sus víveres. Llegué hasta allí después de haber fabricado un aserradero portátil en casa de un tío. Pedro Pilquil Melipil, a quien recuerdo con mucho cariño, y a su esposa, la hermana menor de mi padre, en la localidad de Rulo a unos 10 km de Nueva Imperial. Estuve aserrando pino insigne con varios campesinos mapuches del sector de Quechu Cahuín(*) . Cada vez que me trasladaba al lugar donde tenía la faena pasaba por la calle camino que bordea parte de la ribera del Budi frente a Puerto Domínguez. Allí podía ver algunos cisnes, que por esos años (2007) ya habían repoblado ese lago luego de haber sido exterminados allí por el hombre o obligados a buscarse otros lagos menos peligrosos para preservar su especie. Pese a que soy algo sordo, teniendo la capacidad auditiva de uno de mis oídos totalmente perdida desde niño, igual pude apreciar la misma sensación experimentada por Winter cuando describe el vuelo de los hermosos cisnes de cuello negro. El fru fru de raso, como él acuñó, el sonido que producen al batir sus alas al desplazar el aire bajo sus plumas.
Fotogarfia gentileza de Lalo Anderson Bustos


En Wikipedia es posible conocer mas acerca de Augusto Winter. Sobre su amistad con Neruda y Gabriela Mistral es posible leer allí:

"El Nobel Pablo Neruda lo recuerda así en sus recuerdos de adolescencia: ...en el desordenado río de los libros como un navegante solitario, mi avidez de lectura no descansaba de día ni de noche. En la costa, en el pequeño Puerto Saavedra, encontré una biblioteca municipal y un viejo poeta, don Augusto Winter, que se admiraba de mi voracidad literaria. "¿Ya lo leyó?", me decía, pasándome un nuevo Vargas Vila, un Ibsen, un Rocambole. Como un avestruz, yo me negaba a discriminar. Don Augusto Winter era el bibliotecario de la mejor biblioteca que he conocido. Tenía una estufa de aserrín en el centro, y yo me establecía allí como si me hubieran condenado a leerme en tres meses de verano todos los libros que se escribieron en los largos inviernos del mundo.

Gabriela Mistral, en su recorrido por la Araucanía que dio origen a su obra "Brava gente araucana", luego de un viaje en vapor por el río Imperial y llegando a Puerto Saavedra y el lago Budi, conoce y establece amistad con Augusto Winter."

Pero basta de palabras, He ahí sus versos:

LA FUGA DE LOS CISNES

Reina en el lago de los misterios tristeza suma:
los bellos cisnes de cuello negro de terciopelo,
y de plumaje de seda blanca como la espuma,
se han ido lejos porque del hombre tienen recelo.

Aún no hace mucho que sus bandadas eran risueños
copos de nieve, que se mecían con suavidad
sobre las ondas, blancos y hermosos como los sueños
con que se puebla de los amores la bella edad.

Eran del lago la nota alegre, la nota clara,
que al panorama prestaba vida y animación;
ya fuera un grupo que en la ribera se acurrucara,
ya una pareja de enamorados en un rincón.

¡Cómo era bello cuando jugaban en la laguna
batiendo alas en los ardientes días de sol!
¡Cómo era hermoso cuando vertía la clara luna
sobre los cisnes adormecidos su resplandor!

El lago amaban donde vivían como señores
los nobles cisnes de regias alas; pero al sentir
cómo implacables los perseguían los cazadores,
buscaron tristes donde ignorados ir a vivir.

Y poco a poco se han alejado de los parajes
del Budi hermoso, que ellos servían a decorar,
yéndose en busca de solitarios lagos salvajes
donde sus nidos, sin sobresaltos, poder formar.

Quedaban pocos, eran los últimos que no querían 
del patrio lago las ensenadas abandonar, 
sin contagiarse con el ejemplo de los que huían
Confiando siempre de los peligros poder salvar. 

Mas, desde entonces fue su destino, destino aciago
ser el objeto de encarnizada persecución:
vióseles siempre de un lado a otro cruzar el lago,
huyendo tímidos de la presencia del cazador.

Y al fin, cansados los pobres cisnes de andar huyendo,
se reunieron en una triste tarde otoñal,
en la ensenada, donde solían dormirse oyendo
la cantinela de los suspiros del totoral.

Y allí acordaron, que era prudente tender el vuelo
hacia los sitios desconocidos del invasor;
yendo muy lejos, tal vez hallaran bajo otro cielo
lagos ocultos en un misterio más protector.

¡Y la bandada gimió de pena, sintiendo acaso
tantos amores, tantos recuerdos dejar en pos!
¡Batieron alas; vibró en el aire frufrú de raso
que parecía que era un sollozo de triste adiós!

Reina en el lago de los secretos tristeza suma,
porque hoy no vienen sobre sus linfas a retozar,
como otras veces, los nobles cisnes de blanca pluma
nota risueña que ya no alegra su soledad.

Si, por ventura, suelen algunos cisnes ausentes,
volver enfermos de la nostalgia, por contemplar
el lago amado de aguas tranquilas y transparentes,
lo hallan tan triste que, alzando el vuelo, no tornan más.


Nacimiento: 1868
Tamaya, región de Coquimbo,Chile
Fallecimiento: 1927Puerto Saavedra, Chile
Nacionalidad:  Chileno
Ocupación: PoetaEscritorBibliotecario
Fuente Wikipedia

(*) Quechu Cahuín, - Lugar y comunidad mapuche ubicada como a 5 km. antes de llegar a Puerto Domínguez.
                                - Palabras de la lengua mapuche que significa cinco cabildos o cinco reuniones.

viernes, 24 de julio de 2015

Exito-fracaso

La dualidad éxito fracaso:
Como ya lo había dicho en la entrada anterior, nuestras sociedades, desde sus mismos albores, ha exacerbado y exaltado el éxito. En la vida animal, el macho y hembra alfa son aquellos que reúnen determinadas características que los hace aptos para dominar o liderar a sus congéneres, para procrear casi con exclusividad proyectando su herencia genética y con ello preservando las características peculiares de estos individuos.  Experimentos con ratones han mostrado que los individuos omegas, que parecen más  corpulentos y rozagantes, se sitúan en la periferia del grupo social, se someten apartándose sin pelear y sin derecho alguno de formar su harén y, por lo mismo, como diría un psicólogo de la vieja guardia, están “castrados psicológicamente”. En el medio, existe un grupo de potenciales alfas que constituyen los “chicos malos” del grupo. Son oportunistas, actúan en pandilla y si el macho alfa se descuida, entrarán en su madriguera, copularán con sus hembras por la fuerza y pisotearán sus crías. Este tipo de comportamiento ha sido observado con algunas  variaciones menores en muchas otras especies. ¿No parece algo semejante a lo que ocurre en los grupos urbanos?.

Sin duda es el hombre exitoso el que accede con extraordinaria facilidad a las posiciones de poder, porque su comportamiento ético tiene autocontroles flexibles que, dándose la oportunidad, no dudará en violar las reglas para subir los escalones que lo lleven a la cima. El temor a la penalización no lo amedrenta, porque sabe que estando en la cúspide, tendrá una variada gama de alternativas para evadir los castigos, aún el uso de la fuerza y la represión, pese a la mirada indignada de los omegas. Literalmente “se cagan” en las normas y los derechos de las mayorías a contar con un liderazgo que les garantice igualdad de oportunidades (hombres y mujeres alfas). Por qué entonces se da en nuestras democracias “el fracaso de los fracasados”  en elegir un liderazgo donde el éxito se evalúe, aprecie y potencie sobre la base del comportamiento honesto de sus representantes?. Una respuesta simple será quizás porque la honestidad como valor está muy por debajo de los beneficios que otorga el éxito a quien lo detenta.

El fracaso por su parte, tiene las consecuencias opuestas al éxito. Desde el punto de vista de la sociedad conduce a la falta de reconocimiento del individuo por el grupo social, el olvido, la marginación. En el individuo, impotencia, falta de motivación al ver que sus esfuerzos carecen de la retribución esperada, desesperanza,  inmovilidad  y percepción personal pobre o baja autoestima. A lo sumo espera convertirse en un seguidor de aquellos que considera exitosos, pues así, al menos, se siente partícipe aunque sea tangencialmente, de los éxitos de su líder.

He seguido con particular interés las reacciones del público de algunos de los países que participaron en la última  disputa del campeonato de fútbol de selecciones de la Copa América, he visto como los más entusiastas hinchas o “torcedores” (1) se “suben al carro de los ganadores” como si fueran ellos mismo quienes estuvieron en la cancha disputando los partidos.
El éxito de algunos, conlleva el fracaso de otros
Los tales son, en su propia opinión, entrenadores expertos, mejores aún que los propios estrategas y jugadores de su equipo. Cuando algún protagonista comete un error, el juicio de estos “expertos” cae irremediablemente con sádica e imperdonable crueldad. Así una victoria lleva al grupo de seguidores al paroxismo, al frenesí, como si ella fuese un logro personal inapelable, (y la mayoría de las veces sin haber jugado ni siguiera a las canicas). La derrota por su parte, siembra la desesperanza, el lloro y lamentación inconsolable, la rabia se descarga casi siempre, no contra el propio equipo que jugó mal, sino contra el contrario que fue superior en el campo y también curiosamente, contra chivos expiatorios como el árbitro, los dirigentes, o aspectos tan diversos como el sorteo previo, el estado del campo, la lluvia, la altitud o el gobierno del país anfitrión entre otros. Nuestro hombre actual, carente emociones propias en su lucha cotidiana amorfa y sin gracia, necesita de estos momentos de éxitos ajenos, para sentir al
go de adrenalina corriendo por sus venas e invadiendo de emociones excitantes su cerebro. Y la mayoría de las veces, como en la final de Chile/Argentina, dicho arrebato es potenciado por la derrota y abalo de sus prójimos vencidos.

Como vemos, el éxito de algunos, conlleva muchas veces el fracaso de los otros.

(1) Torcedor: en portugués significa hincha, seguidor apasionado.

martes, 21 de julio de 2015

La lucha por el éxito

Inicio aquí algo que prometiera hace ya tres anos, una serie de comentarios sobre el éxito, y en particular, el éxito económico como meta del hombre, altamente deseable y por la cual batallan si tregua los modernos cavernícolas casi con las mismas armas de antaño.
Pataleta ante Obama
Desde los orígenes de la humanidad, el hombre inserto en una sociedad, sea ésta rudimentaria o desarrollada como la actual, siempre se ha visto fascinado por alcanzar posiciones de destaque entre sus pares o contemporáneos, Hay algo en nosotros mismos que nos mueve a sobresalir. Ya desde bebés es posible observar cómo éste descubre formas de conducta que atraen y mantienen la atención de los adultos de su entorno, a las cuales hace uso para incluso manipular las respuestas de dichos adultos para mantenerse en el centro de las atenciones y no quedar relegado a un lugar secundario que conllevan a la monotonía y el olvido. El fracaso es impensable, marcante,  nos expone al hazmerreir, al bulling social; situaciones que muchas veces se traducen en graves disturbios sicológicos que llevan al individuo a la frustración, el desespero, la depresión y muchas veces al suicidio.


Las formas o métodos de los cuales el hombre se vale para llegar y mantenerse en lo alto del podio varían según la sociedad y particularmente según el área en que dicha posición se inserta. En el área militar, se legitima la violencia contra el enemigo y válida incluso su destrucción total.  Cuando se carecen de argumentos  racionales o lógicos para vencer y ejercer supremacía o dominio, el uso de la fuerza es el recurso obligado para tales individuos. Sea que se refiera a grandes grupos como una nación, pasando por los intermedios y llegando a ser notoria y evidente en los pequeños como la familia nuclear o el grupo de pares, como por ejemplo, la pandilla de la esquina,  Es cierto que muchas veces el líder suele ser aquel que entrega las mejores estrategias o soluciones a los problemas del grupo, pero cuando ello fracasa, la imposición por la fuerza o el matonaje se abre camino para hacerse con el poder. Cuando se carece de alternativas que garanticen el ascenso mediante el uso de la fuerza, otras estrategias surgen, la maquinación oculta, las alianzas con personas o grupos descontentos, la manipulación sicológica o social, siendo para ello válidos el uso del rumor, la distorsión de la realidad, la mentira y la magnificación de hechos de poca relevancia, entre otros. Pero no todo es perjudicial o malo en la lucha por el éxito, Hay estrategias y elementos válidos y altamente beneficiosos para nuestras sociedades, que hacen del éxito de sus miembros aportes de gran peso en el avance y desarrollo de las mismas. De ello nos ocuparemos más adelante.


¿Qué es lo que nos mueve a luchar por dichas posiciones? No cabe duda que existe una necesidad básica que procura ser satisfecha, ella es el deseo de ser reconocidos, de ser tomados en cuenta, de tener al menos la ilusión de que somos  agentes de nuestro propio destino. Tiene también responsabilidad en ello, las motivaciones sean internas o externas para alcanzar nuestras metas.  


En el ámbito sindical, es notorio algunos liderazgos que se caracterizan por ejercer presión para conseguir beneficios, privilegios y aún prebendas.  cuando lo correcto en un liderazgo sindical positivo es la capacidad de negociación de sus dirigentes para probar, demostrar y convencer; mediante el uso de razones lógicas y fundamentos sólidos a la contraparte para que ésta acceda, valide y legitime sus demandas. Sin embargo más a menudo de lo que  debiera vemos como pseudos líderes se dedican a manipular a sus dirigidos para ejercer presión llegando incluso a exigir sus demandas a los gritos, palos, pedradas, saqueos, rompimiento de sillas, ventanas o vitrinas y hasta el uso de bombas incendiarias y otras manifestaciones de violencia para alcanzar sus fines. Esto se repite también en muchas de las relaciones de dirigente seguidor, o líderes y dirigidos, y se da fundamentalmente cuando quien ocupa posiciones de liderazgo  carece de argumentos o por sus limitaciones no da con ellos para lograr ser escuchado, ser creído, respetado y digno de confianza por parte de sus dirigidos como por aquellos que componen la parte contraria en la negociación. Lo peor es que tales líderes limitados muchas veces consiguen sus demandas mediante tales presiones, validando con ello marcos legales deficientes y liderazgos políticos poco adecuados, no estoy con esto defenestrando el derecho a huelga ni al de manifestarse ordenada y pacíficamente. Quien gritonea, ofende, agrede físicamente y destruye, es porque carece de argumentos lógicos y sólidos para ganar su batalla.  El buen líder, que alcanza legítimamente tal condición, es aquel cuyos postulados, argumentos y estrategias se imponen por la fuerza de la razón, porque además es capaz de aceptar sus errores, enmendarlos y tomar de sus secuaces y  aún de sus contrarios, aquello que es útil para su causa y la de sus seguidores. Como dije en algún comentario por ahí: movilizar los corderos es actividad propia de pastores en el campo y de sus perros adiestrados. Quien tal se conduce, no puede ser catalogado como líder, por el contrario, es un antilíder, un ególatra capaz de sacrificar a sus dirigidos con tal de subirse al podio, mantenerse en la cima, y alcanzar sus mezquindades. Lamentablemente, de estos últimos están llenos nuestros congresos, nuestros gobiernos y la clase política  en general. Tal proliferación alcanza también otras instituciones como  las policías, los servicios de control  tributario, medioambiental, y se esparce también hacia el ciudadano común, que haciendo uso de tales tácticas desleales y aún ilícitas, logra encaramarse por encima de sus competidores.


Siempre hemos creído que antiguamente, se recurría a prácticas como la hechicería, la religiosidad falsa y ocultista para llegar a ser un individuo exitoso, aniquilando a los adversarios y a quien pudiera oponerse u obstaculizar el ascenso social, político o militar. Cuán errados estamos, pues hoy tales prácticas están más vivas que nunca en ciertos grupos que hacen de ellas sus artimañas predilectas para conseguir sus propósitos. Conocido es el caso de la ex-esposa de un ex-presidente de Brasil (Fernando Collor), quien habiéndose convertido al cristianismo reveló cómo su  ex marido recurría a tales hechicerías, en la esperanza de conquistar sus propósitos y anular o superar los obstáculos que se lo impedían. (1) . Pero ello no sólo se refiere a altos políticos como el caso relatado (Collor de Mello), sino que es práctica común en un amplio sector de la población de este País y asumo que también lo es en muchos otros países.  Recuerdo  que por razones de trabajo, solía pasar caminando por la calle que rodea la parte occidental del cementerio de Nueva Odessa, (una ciudad y municipio en el estado de São Paulo), y en varias oportunidades pude observar pollos negros muertos junto a otros objetos. En principio, no relacioné tales observaciones con magia negra, sino que mucho más tarde me enteré que  tales sacrificios (ofrendas sacrificiales) eran parte de rituales de magia negra que simples ciudadanos o vecinos del sector practicaban para conseguir objetivos ocultos. Conducta que se repite en muchas otras partes de este gran país. Una cosa es cierta. tales conductas ocultas no son garantía para alcanzar oscuros o inconfesables deseos.


Parece increíble, en pleno siglo 21, en la llamada era del conocimiento, tanto que dicho conocimiento, particularmente el científico sumado a su aplicación en altas y sofisticadas tecnologías nos llevan a pensar que hemos superado la ignorancia  y la credulidad en fútiles conductas, vemos que por el contrario, permanecen, proliferan, y son abierta o indirectamente difundidas por una prensa y/o medios de difusión con apariencia de seriedad y prestigio. Es cosa de leer las secciones de astrología y los avisos clasificados y hasta los afiches colgados de los postes de alumbrado, o pegados en los muros y nos encontraremos con una abundante oferta de servicios para ver el futuro, quebrar o realizar trabajos (maleficios), conseguir empleo, amor, fortuna, entre otros.


Para alcanzar el éxito, el vale todo impera. De dicho deseo se aprovechan muchos timadores, Pero en la realidad, son muchos más quienes resultan timados o chasqueados para beneficio y beneplácito de los primeros.




  1. También en mi comentario sobre la corrupción, en la sección Éxito-fracaso, el lector puede encontrar otras asertivas expresiones que complementan esta primera parte sobre El Éxito: http://djoaoninguem.blogspot.com.br/2012/01/tipologias-de-la-crorrupcion.html

lunes, 15 de junio de 2015

Tipologias da Corrupção

Introdução:


(Faço  cá a tradução do meu comentário  da corrupção feito faz já trés anos, pero que segue alta e escandalosamente vigente na vida cotidiana dos países e particularmente nos nossos governos)
Para leer esta publicacion en español, clique aquí

E conveniente aprofundar sobre um fenômeno que a cada dia  agrava-se em nossos governos, “a corrupção” como conduta escandalosamente predominante entre seus altos funcionários. A que se debe este fenômeno recurrente?, Quais são as características dos que fazem dela uma forma de vida?, Serão causas externas ao indivíduo as que o levam a cometer crimes?. São eficientes as normas legais que penalizam ditas condutas? Que podem fazer as pessoas comuns para frear a corrupção?. Que efeitos tem a permissividade e recurrência desta prejudicial conduta nas nações afetadas?  Estas e muitas outras perguntas nos obrigam a fazer uma reflexão profunda deste fenômeno político-sócio-cultural  que como câncer em etapa de metástase  desparrama-se nas emaranhadas redes do poder político dos governos “terrícolas”.

Já Jean Jacques Rousseau tinha dito “o homem é bom por natureza, mas é a sociedade que o corrompe ", ao contrário de visão romanista que o homem é mau por natureza (pecado original) e que é uma função da sociedade (igreja) endireitar seus caminhos para faze-lo um homem de bem.  Será que alguns destes pontos de vista tem a ração? ou  como Aristóteles e John Locke:  vamos pensar melhor do que todo homem nasce como uma "tabula rasa", ou seja, como uma folha de papel em branco na qual desde o nascimento (e talvez até mais cedo)  se começa a gravar -por sua interação com seu meio ambiente-, os fundamentos que controlam seus impulsos e governam sua conduta ao longo da sua vida?. (Empirismo epistemológico).

Sem dúvida, o indivíduo nasce com certas habilidades, as que entrando na época, uma vez que cresce e se desenvolve em sua constante experiência e interação com o ambiente circundante. Chamar-lo de bom ou ruim não tem sentido. Serão as decisões e conduta que adote na sua vida adulta, no uso de seu livre arbítrio, as que vão definir na sociedade em que mora, se ele foi moldado de acordo com o  ideal dos valores  prevalecentes.  Acho sim distinto o conceito cristão de inocência (quem não tem culpa alguma) próprio da meninice  humana, a qual vai-se perdendo gradualmente a medida que cresce e se torna consciente de si mesmo como  individuo especial, único e distinto aos outros (com carácter e individualidade próprias) e de que seus atos tem efeitos (positivos ou negativos, bons ou maus) não só para si, más também para seus semelhante e para o meio circundante.

Agora bem, Ignorar o rol dos homens adultos (pais, grupos de pares, escola, sociedade) no resultado final dos seus novos membros, é não entender nada como esse conjunto de capacidades e características individuais podem ser conduzidas  para comportamentos  socialmente desejáveis, aceitados e proveitosos para o homem no seu sentido genérico e para o ambiente em que mora. Hoje vemos que, graças à influência da "psicologia moderna", limitou-se significativamente a liberdade dos pais e da escola para exercer em seus filhos e alunos o direito de aplicar métodos coercitivos  (prêmios e castigos) ao fim de que eles se comportem  dentro das condutas que são socialmente aceitas.  O argumento é que esses métodos geram traumas difíceis de superar.   Não há dúvida de que a punição excessiva os gera ao igual que os prêmios inadequados, pero também a falta de regras claras de padres para os seus filhos e a falta de autoridade na escola para lidar com condutas anômalas e violentas entre os estudantes; dão origem a fracassos por vezes muito piores, como por exemplo, a falta de respeito dos filhos aos pais, a violência juvenil, o consumo de álcool e drogas e seus efeitos nocivos no individuo, a família,  a sociedade, etc. Pais permissivos e contemplativos  tem filhos que consideram que quebrar as regras é algo natural, desejável e benéfico. O mesmo se aplica a outros grupos sociais incluído a escola e a sociedade em geral. O direito positivo em questões de família impõe pesadas multas sobre os pais que se atrevem psicológica ou fisicamente punir seus filhos e, sob a antiga legislação, também aplicam-se condenas a pais cujos filhos menores que, tendo cometido delitos, hão feito danos a terceiras pessoas.  Como diriam meus compatriotas  aplicando o ditado popular, “paus porque remam e também paus porque não remam”. Estas intervenções "supostamente modernistas e avançadas" da sociedade no domínio da família, sem indicar claramente quais dos tipos de punições ou prêmios dão origem a traumas graves e quais  são ou tem sido claramente benéficos na educação familiar dos filhos, só contribui para fomentar a confusão e incapacidade das famílias para gerar  filhos respeitosos dos valores e normas que a mesma sociedade modernista pretende defender.

Assim então estão dadas as condições para que a corrupção prospere, se estenda e cruze todos os níveis sociais das nações. Desde o  indivíduo que considera normal cozinhar la galinha do seu vizinho que voou para seu quintal traspassando os limites de seu galinheiro; passando pelo funcionário que considera legal usar folhas, lapises, envelopes, o telefone e até mesmo  veículos da empresa onde trabalha para fins pessoais durante o horário de trabalho; pelo aluno que está acostumado  em colar nas provas escolares para melhorar as suas qualificações; pelo empresário que esconde suas rendas para pagar menos impostos; até aquele enaltecido político que consegue ficar rico usando dados confidenciais desviando receitas fiscais, o vendendo regalias para se enriquecer ilicitamente. A corrupção atual  tem-se instalado em todos os cantos da sociedade, cruzando todos los estratos sociais, as instituições, sejam públicas ou privadas e pior ainda, todos os níveis dos poderes do estado.

Crise da ética contemporânea:


Não podemos negar que a corrupção como o comportamento é tão antiga quanto o homem. No entanto,  o ideal de sociedade que esperamos construir, especialmente no mundo ocidental, com forte influência cristã, é aquela em que certos valores são altamente valorizados e  procurados para ser promovidos e vividos pelas maiorias.  Quais são? Há uma longa lista deles e, por tanto, sem ser exaustivo, vou mencionar alguns que considero os mais importantes. Eles dão-se  normalmente em pares  antagônicos e expressam o que, social e em o possível individualmente, e  considerado como bom, desejável, agradável; ou bem  mau, indesejável, prejudicial.

Amor-ódio: especialmente naquela sentencia que nos faz olhar para nosso próximo como um igual, onde o amor deve, de preferência  se  igualar  ao sentimento e  percepção que temos de nós mesmos. Como Erich Fromm disse, amar é dar é mais especificamente "dar-se",  pero generalmente estamos mais preocupados de  receber amor e não de desenvolver a própria capacidade de entregá-lo. É nesta entrega altruísta  e incondicional onde os homens alcançam o mais alto nível de convivência harmoniosa e inclusiva. Não há melhor antídoto para acalmar a violência, o sentimento de rejeição e marginalização, e até mesmo o ódio, do que agir expressando amor para nosso próximo. Hoje olhamos  como cresce o ódio e míngua o amor. O vizinho, que se cuide  por si mesmo. Se for bem sucedido, esperamos que seja por pouco tempo, porque a inveja e a cobiça obnubilam o pensamento e a prosperidade dos nossos vizinhos nos faze destacar a nossa própria pobreza, as nossas limitações. Se nós somos ricos e abençoados, então vemos  esse próximo  crescer como um inimigo potencial que pode nos igualar a até mesmo varrer  do patamar  sobre o cual acreditamos ter alcançado e não vamos poupar esforços em colocá-lhe obstáculos ou pedras no seu caminho para impedi-lo.

Paz-guerra:  Se amamos, o paz e harmonia na sociedade humana é o resultado natural. Por outro lado, a guerra e os conflitos ocorrem quando o ódio mútuo tornar-se-há insuportável. Pois o ódio cega, e como machos em cio arremeteremos contra nosso adversário até abater-lo, ou  forçá-lo a retirar-se ou submete-lo sob a nossa vontade ou vice versa.

Liberdade-opresão: O homem é livre, pero sua liberdade tem limitações. É livre desde que nasce, mais dependente dos seus semelhantes. Ele não vai crescer e atingir seu pleno desenvolvimento senão pela influência e interação com seus pais, seus pares e até mesmo seu ambiente. Por isso a liberdade é um bem cuja experiencia debe estar em harmonia com o meio social e natural. O Homem deve portanto, garantir que sua liberdade não inclua condutas que danifiquem essas inter-relações. Aqueles que submetem e impedem seus próximos exercer esse direito, o oprimem e restringem.  Assim, viver em liberdade significa viver com responsabilidade social e ambiental.

Honestidade-corrupção:   Aqui entramos diretamente para o tema deste comentário. Um homem honesto é aquele que opera com a consciência de que suas ações não podem prejudicar os direitos de terceiros. Na verdade quase todo mundo quer ser honesto, íntegro e reto, mas, aparentemente, esse valor está em oposição com  outro  altamente desejado: O sucesso e, em especial, o sucesso econômico. E é aí onde define-se o comportamento que vai prevalecer dai pra frente ante ambos valores.

Muito tem sido dito que quase todo homem tem um preço e esse preço é um valor para o qual deixará se seduzir (ou vender)  por ser bem sucedido economicamente, em declínio ou as custas de sua honestidade. Ou seja, fará condutas ilícitas -sabendo que pode ser punido se  descoberto- pela tentação ou  a possibilidade imediata de  dispor de recursos, status, o serviços que o farão -ante seus pares e a sociedade em geral-, como um homem de sucesso.

Sucesso-fracasso:  Nossas sociedades, desde seus começos,  tem exacerbado e exaltado o sucesso. Na vida animal, o macho e fêmea alfas são aqueles que tem determinadas características que os torna mais adequados para dominar ou exercer a liderança em seu grupo, para procriar quase com exclusividade projetando a sua herança genética e com isso preservando as características únicas desses indivíduos.  Experimentos com ratos mostraram que os indivíduos omega, que parecem mais corpulentos e lustrosos, ficam na periferia do grupo social, se submetem se afastando sem brigar e sem qualquer direito de constituir seu próprio harém e, portanto, como diria um psicólogo da velha guarda, estão “castrados psicologicamente”. No meio, há um grupo de potenciais alfas que são os “bandidos” do grupo. São oportunistas, agindo em gangues e, se o macho alfa é negligenciado, entrarão em sua toca, copularão com suas fêmeas pela força e pisarão seus filhotes. Este tipo de comportamento foi observado com algumas variações menores em muitas outras espécies. Não  parece algo semelhante ao que acontece em nossos grupos urbanos?

Certamente, o homem bem sucedido é quem tem aceso com extraordinária facilidade as posições de poder, porque o seu comportamento ético tem  auto controles flexíveis  que, segundo a oportunidade, não hesitara em violar as regras para subir os degraus  que o levem ao topo. O medo da punição não o perturba, porque sabe que estando na cúspide, terá uma grande gama de alternativas para evitar a punição, mesmo o uso da força e a repressão, apesar do olhar indignado dos ômegas. Literalmente “cagam-se” nas regras e os direitos das maiorias de ter uma liderança que lhes proveja  igualdade de oportunidades (homens e mulheres alfas). Por que então da-se em nossas democracias “o fracasso dos fracassados”  em escolher uma liderança onde o sucesso posa se avaliar, apreciar ou valorizar sobre a base do comportamento honesto dos seus representantes?. Uma resposta simples é talvez porque a honestidade como valor está bem abaixo dos benefícios concedidos pelo sucesso a quem o detém.  (Este tópico: Sucesso-fracasso, é o tema de um ensaio que vou postar mais tarde).

Justiça-ilegalidade: Contrariamente  do dito sobre o sucesso-fracasso,  a justiça como valor não está sendo apreciada pela liderança no poder como altamente desejável. Portanto, os limites da justiça e da ilegalidade tornaram-se turbos, ou emaranhados e labirínticos, basicamente, porque os grupos de poder que tem a responsabilidade de legislar, estão altamente emparentados por laços de sangue, amizade ou ideológicos com os outros poderes dos estados, por isso agem se protegendo para impedir que sua conduta desonesta, ilícita, corrupta ou prevaricadora seja objeto de punições exemplares. O resultado é a permissividade de corrupção, como é evidenciado pelo grande número de casos que são indeferidos pelos juizados, prescritos pela negligência intencional de agir fora do tempo, ou por ser corporativamente encobertos. A percepção da impunidade para estes crimes e a falta de credibilidade dos sistemas judiciários é o resultado natural na consciência das maiorias onde  pequenos delitos as vezes tem pesadas sanções, enquanto os grandes criminosos  se mostram como senhores e como pavões exibem-se em liberdade e opulência.



Tipos de corrução:

No domínio da administração do Estado e da iniciativa privada, toda conduta corrupta envolve um abuso de poder ou um uso discricionário da posição privilegiada de um funcionário  (empregado público ou privado) para atuar por fora do que é lícito ou permitido. A forma mais comum é: seguinte:

1.- O enriquecimento ilícito: É um dos comportamentos que mais se destaca na mídia, quando algum alto funcionário cai na desgraça de ser pego desviando recursos do tesouro nacional ou privado para aumentar a  sua receita ou patrimonio. Aqui destacamos várias categorias;

   - Aumentos discrecionários  de salarios ou asignações salariais no permitidas.
  - Cobranças excessivas ou fictícias em diárias, horas extras. Isso inclui a adulteração de registros de emprego, tais como cartões de assistência ou livros.

 - Uso de bens e serviços destinados à execução dos deveres do trabalhador, em coisas pessoais. Lembro-me do caso de uma Subsecretaria no Chile que usou a van do seu ministério, incluindo o motorista para o transporte de morangos de seu negócio de família aos seus clientes. Casos como este são comuns em níveis mais baixos do aparelho do Estado.

 - Cobrança de comissões e subornos (ou propinas) na atribuição do dinheiro usado para financiar projetos.

 - Tráfico de influências.

- Recebimento ilegal de presentes. (veículos, depósitos vultuosos em conta corrente no exterior, paraísos fiscais, pago de ferias maravilhosas, empregos após o término dos seus mandatos, etc.

 - Pagamento de obras, projetos ou serviços inexistentes.

2.- Nepotismo:  Isso é favorecer aos familiares, (mais também deve-se incluir os amigos, os partidários ou empresas de estos), passando por cima de aqueles que preenchendo as qualificações ou méritos, seriam os legítimos vencedores das vagas ou dos  projetos em licitação.  É comum que os altos funcionários, incluindo "honoráveis" parlamentários que favorecem a contratação de membros da sua família (esposas e filhos geralmente) em funções que lhes dá o seu mandato, de modo que "cortar", na distribuição do "bolo", a maior porção para a família ou para os amigos do seu partido. Isso inclui a criação de empresas de fachada com tal família ou amigos para que eles possam acessar os recursos disponíveis.

3.- Evasão fiscal ou fraude ao fisco:  É o comportamento de muitos contribuintes que por lei devem declarar os seus rendimentos ou lucros, pero que evitam incluir ditas rendas ou parte delas, ao fim  de diminuir o pago de impostos. Isto dá origem ao chamado dinheiro sujo que geralmente vêm de atividades ilegais, mas também atividades lícitas não declaradas. Por isso eles tentam manter em dinheiro vivo ou em contas no exterior, para que a Receitas Federal ou a entidade encarregada de recolher ditos impostos  não chegue a saber deles. Outra maneira nos negócios das famílias ou empresas familiares é dividir as rentas, ganhas por um dos integrantes da família, entre os membros adultos, para que eles não alcançam o teto, onde a taxa de imposto é significativamente maior.

Paralelamente a evasão fiscal,  conduta ilícita que merece sanções fortes, está a elução, conduta que não envolve nenhum crime, uma vez que constituem resquícios  ou lacunas legais as que são utilizados por não declarar lucros ou rendimentos.

4.-  Suborno e prevaricação: Embora o termo prevaricação geralmente aplica-se quase exclusivamente no domínio da justiça, cá o estou usando no seu sentido geral,  como aquela conduta intencional que entorta ou impede a aplicação correta do direito com o fim de favorecer arbitrariamente  uma das partes. Neste sentido, a sua aplicação é muito mais ampla e geralmente envolve qualquer funcionário que, no exercício das suas funções, age parcialmente para beneficiar de forma arbitraria um individuo ou empresa.Como dita conduta está geralmente associada a um benefício adicional para o prevaricador seja imaterial ou mas comummente econômico, teremos ai a sua íntima relação com o  suborno ou propina Assim então,  comete suborno  aquele que oferece ou concorda dar dinheiro, um bem, um presente, uma doação  ou um serviço para obter tratamento preferencial, uma decisão judiciaria favorável, a adjudicação dum concurso ou contrato, o desaparecimento de um arquivo ou prova  desfavorável, e prevarica quem recebe tal suborno ou propina, ou a solicita para agir em conformidade com as exigências e desejos do primeiro.

Este tipo de corrupção é dos  mais comuns e vai, desde o político que distribui presentes (sanduíches, churrascos, vinho, cestas, alimentos ou outros objetos)  para seus possíveis eleitores para obter votos; passando pelo policial que pede propina ou dinheiro para não aplicar uma sanção ou evitar uma  prisão, em conluio com o que dá o tal suborno; ao juiz venal que aplica sentenças arbitrárias omitindo a correta aplicação das leis que o caso merece.

Uma forma dissimulada de este tipo de corrupção é o costume dos políticos para arrecadar dinheiro para financiar suas campanhas com dinheiros colhidos entre empresas ou empresários particulares no subentendido de “se eu ganhar a corrida” (ser eleito no cargo pretendido), tais doadores serão bem recompensados. Isto significa, na prática, a venda antecipada de privilégios, apoio de iniciativas legislativas de interesse dos doadores ou rejeição daquelas que poderiam prejudicá-los.

Existem muitos outros tipos de corrupção, os que não vou  abordar neste comentário, principalmente porque os já citados são os mais comuns no campo da política e do exercício do poder no estado. Notavelmente, todos têm uma coisa em comum, que é, obter benefícios ilícitos para si mesmo ou para um terceiro. Como a palavra corrupção tem a origem no verbo corromper: (apodrecer, estragar, deteriorar-se, tornar-se ruim); A partir disso, pode-se concluir que a corrupção, como o comportamento humano deve ser entendido como "um comportamento que fura a legalidade e  visa obter benefícios ilícitos para si ou para um terceiro", que torna-se ao se generalizar entra as redes do poder, em um deterioro moral grave onde as leis em vigência são desrespeitadas e violentados os direitos daqueles que resultam prejudicados por tais comportamentos venais. Este é apenas o reflexo visível de uma sociedade onde a corrupção começa cedo na educação das crianças e segue abrangendo todos os níveis e camadas sociais da mesma.